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Notícias

  20/10/2017 

Moção de repúdio à violência contra a mulher é aprovada durante Assembleia Geral realizada nesta sexta, 20

As servidoras e os servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), reunidos em Assembleia do SINDSIFCE no dia 20 de outubro 2017 repudiaram, de forma unânime, a perseguição, agressão e tentativa de estupro feita por um filiado do SINASEFE contra uma filiada durante o período da 151ª Plena do referido sindicato ocorrida em 9 e 10 de setembro de 2017. Assim, viemos também a público repudiar esta e qualquer prática de violência contra a mulher. 
 
Dados do 9º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, demonstram que, em 2014, a cada 11 minutos um caso de estupro foi notificado no Brasil. Dos casos publicados em 2016, pelo 10º Anuário, 89% das vítimas eram mulheres, o que ressalta a importância de uma atenção voltada para nós, como órgãos especializados com profissionais capacitados para o atendimento a essas vítimas. Um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com dados de 2011 a 2014, mostra que 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes e cerca de 15% do total de casos registrados são estupros coletivos. O levantamento demonstrou também que 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima. Além disso, o instituto estima que apenas 10% dos casos sejam reportados à polícia, portanto o número de casos encontra-se subnotificado, sendo dez vezes maior. 
 
Dentre os fatores que influenciam na decisão das vítimas de denunciar, estão: o medo, a culpabilização das vítimas, a forma como as autoridades tratam as vítimas e as descrenças aos relatos de abuso. Em 2016, uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Instituto Datafolha revelou que um em cada 3 brasileiros concorda com a afirmação: “A mulher que usa roupas provocantes não pode reclamar se for estuprada”. No estudo do IPEA, citado anteriormente, 58,5% dos entrevistados concordam total ou parcialmente com a afirmação que "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”, quando, na verdade, o necessário é o combate ao machismo e a cultura do estupro, ao invés de buscar culpar a vítima. Destacamos aqui a fala (ou grito) de Grazi Massonetto, do blog Lugar de Mulher, em seu texto “O silêncio que ecoa: a cultura do estupro no Brasil”:
 
“(...)as mulheres não são vistas como seres com vontade própria, são consideradas propriedade dos homens. Cabe às mulheres obedecerem às regras masculinas – ser feminina, falar baixo, aceitar ser vista como objeto sexual pois “homem é assim mesmo”. E quem não aceita as tais “regras masculinas” é culpada por tudo o que lhe vier a acontecer. 
 
No texto, a autora destaca ainda a ideia de cultura do estupro, que ela define como: 
 
“Uma estrutura onde a mulher é culpada por qualquer constrangimento sexual que venha a passar. Uma sociedade que acha normal uma mulher ser constrangida na rua por uma cantada; normal uma mulher ser estuprada por estar bêbada ou usando roupas curtas; normal uma mulher ser forçada a fazer sexo com o companheiro, afinal, ele é seu marido ou namorado; normal uma mulher ser vista apenas como objeto para satisfazer as vontades alheias; normal uma mulher ser intimidada por homens heterossexuais quando é lésbica, porque na verdade ela tem que aprender a gostar de homem.” 
 
A sociedade não pode fechar os olhos para essa realidade. A violência contra a mulher se apresenta de múltiplas formas, uma dessas formas é a violência contra o corpo. Infelizmente, vivenciamos casos de abusos contra as mulheres em espaços públicos e privados, como o caso ocorrido no metrô do Rio de Janeiro que ganhou repercussão nas redes sociais e nos meios de comunicação e muitos outros que acontecem no dia a dia, mas que não ganham repercussão, ou que não são sequer levados a apuração. 
 
A sociedade cria a ideia do corpo da mulher como objeto, e utiliza esse corpo como incentivo para a venda de diferentes produtos, tais como bebidas, carros, etc. Todas essas representações de produtos para atingir o desejo masculino machista. 
 
Outro agravante em relação a violência contra a mulher é o assédio velado. Esta situação é ainda mais difícil de lidar, uma vez que, há uma tendência de querer naturalizar esse tipo de assédio. Nesses casos, muitas vezes as mulheres não têm a possibilidade de provar que sofreu uma violência ou assedio, tornando-se difícil até mesmo da própria mulher entender que sofreu violência, uma vez que há a tendência de naturalizar o abuso. 
 
Portanto, a cultura da violência sexual contra as mulheres, atrelada a uma cultura do machismo em que a mulher é tratada como objeto sexual, não pode continuar sendo difundida e naturalizada! Isso não deve ser diferente em nossos ambientes de trabalho e nos nossos sindicatos. A recorrência dos abusos nesses espaços acaba oprimindo cada vez mais a participação da mulher nos meios políticos. Não podemos nos calar diante das violências praticadas dentro de nossos espaços de luta em prol de direitos!
 
#MexeucomUmaMexeucomTodas
 
Referências
Última atualização: 20/10/2017 às 19:09:14
 
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