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Notícias

  20/11/2017 

Professor David Moreno, do IFCE, lança nesta quinta, 23/11, livro sobre precarização do trabalho e indústria do lixo

Em tempos de fortes mudanças na legislação trabalhista, um novo livro discute o crescimento do trabalho precário e os seus limites, a partir de uma pesquisa acadêmica sobre a realidade dos trabalhadores do lixo. O sociólogo e professor do IFCE, David Moreno, lança nesta quinta-feira, 23/11, às 18h, na Biblioteca Lívio Xavier (sede do Psol, na Av. Imperador, 1397, Centro), em atividade aberta a todos os interessados, o livro "Fios Invisíveis da Espoliação: Trabalhadores do Lixo e os limites da precariedade do trabalho". Durante o lançamento haverá uma conversa e uma seção de autógrafos com o autor, que põe em xeque a visão da indústria da reciclagem como "politicamente correta", dotada de "responsabilidade social e ambiental".
 
David Moreno Montenegro é cientista social e doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), professor de Sociologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Campus Fortaleza, membro -fundador do Centro de Estudos do Trabalho e Ontologia do Ser Social (Cetros) e membro do Laboratório de Estudos da Violência (LEV-UFC), em que pesquisa formas contemporâneas da violência de Estado, movimentos sociais e direito à resistência.
 
A pesquisa que deu origem ao livro aborda a situação dos trabalhadores catadores de materiais recicláveis, situando-os no plano da divisão social do trabalho na sociedade do capital. Expõe com clareza e simplicidade os “fios invisíveis da espoliação”, desvelando itinerários do cotidiano da miséria do trabalho e do trabalho da miséria, como destaca, na apresentação do livro, o professor Giovanni Alves, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
 
Na fala e nos discursos dos sujeitos que trabalham no limite da sua insignificância objetal para o capital, ressoa o impulso de vida, expõe David Moreno, em uma análise sociológica. A esfera da produção da "pseudoconcreticidade" da vida cotidiana, desvelando os nexos essenciais da reciclagem e da produção destrutiva, a expansão do capital na era do descartável.
 
A disputa pelo lixo: vidas supérfluas
 
"Bem-vindo ao Inferno do Real", destaca na apresentação o professor Giovanni Alves, frisando que não se trata de um Real inominável, como supunha Jacques Lacan, mas sim de um Real simbolizado que deixou de ser o que é no plano da consciência, com uma lógica ontológica dos (des)caminhos que se cruzam no rastro do lixo. O autor recorre a categorias de Karl Marx e István Mészáros para elaborar sua leitura sobre "a indústria do lixo, reverso da indústria do luxo".
 
As contradições expostas em meio aos conceitos de acumulação capitalista, superpopulação relativa, trabalho supérfluo são abordadas a partir de seus efeitos sobre as pessoas reais, "vidas supérfluas que se erguem".
 
"Os trabalhadores do lixo compõem o universo da produção da riqueza do capital. Os catadores, os depósitos, os atravessadores e o comércio de materiais recicláveis compõem a 'linha de produção' do suposto improdutivismo capitalista. O dito improdutivo oculta a racionalidade (irracional) da produção destrutiva do capital-mercadoria, hoje metamorfoseado em capital fictício, estando para além dos fios invisíveis da exploração, mas bem próximo da espoliação cotidiana de cada dia".
 
A "dialética candente" entre o crescimento do descartável e a ampliação da precariedade do trabalho é exposta no livro, entre conceitos como os de ordem burguesa hipertardia, riqueza e descartabilidade, luxo e lixo, exploração e espoliação, produção e destruição.
 
A exploração "politicamente correta"
 
O livro põe em xeque a visão da indústria da reciclagem como "politicamente correta", dotada de "responsabilidade social e ambiental". "O pesquisador vai religando os fios invisíveis da espoliação nas complexas tramas da 'indústria do lixo', a envolver diferentes sujeitos, com inserções e posições diferenciadas na cadeia produtiva da reciclagem. As narrativas do pesquisador colocam a nu a intensa exploração da força de trabalho dos catadores, a garantir vultosos lucros para os investidores que metamorfoseiam o lixo em mercadoria. É uma expressão específica e peculiar da acumulação por espoliação no universo urbano", define a professora Alba Maria Pinho de Carvalho, do programa de pós-graduação em Sociologia e do Mestrado em Avaliação de Políticas Públicas, da Universidade Federal do Ceará (UFC).
 
Por sua vez, o professor Epitácio Macário, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), acrescenta em posfácio à obra: "o pesquisador demonstrou que a atividade de catação se insere nos degraus inferiores da divisão social do trabalho, em condições bastante degradantes que funcionam como amortecedores da rebeldia".
 
"A atividade desses indivíduos não se dá num clima de cooperação, como na fábrica, mas os confronta como concorrentes na disputa pela lata de lixo mais recheada. Por outro lado, o poder de pressão dos 'deposeiros' – que são donos dos depósitos e do principal instrumento de trabalho, a carroça – é incontestável, representando forte empecilho ao desabrochar da consciência e da organização coletiva dos catadores", ressalta Epitácio Macário.
 
"Mas os 'deposeiros' são apenas elos intermediários da cadeia produtiva do lixo, elos fundamentais para os entes que, de fato, se apropriam da massa de sobretrabalho gerado nesse circuito produtivo: a indústria da reciclagem. A pesquisa expõe os liames que interligam a pobreza absoluta dos catadores ao império ostensivo das indústrias da reciclagem, polos que se intermediam pela ação dos donos de depósitos".
 
SERVIÇO:
"Fios Invisíveis da Espoliação: Trabalhadores do Lixo e os limites da precariedade do trabalho". Lançamento do livro do professor David Moreno Montenegro, do IFCE. Quinta-feira, 23/11, às 18h, na Biblioteca Lívio Xavier, sede do Psol (Av. Imperador, 1397, Centro).  No lançamento, o livro custará R$ 25,00. Informações: 98725-2920.
Última atualização: 20/11/2017 às 12:43:34
 
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