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  14/03/2020 

I Encontro de Mulheres do SINDSIFCE: confira como foi a mesa de abertura, sobre o tema "Vivas, livres e resistentes, dentro e fora do IFCE", na sexta, 13/3

O I Encontro de Mulheres do SINDSIFCE foi aberto na noite de sexta, 13/3, no Campus Maracanaú do IFCE, com Enedina Soares, Lola Aronovich e Zuleide Queiroz. "Vivas, livres e resistentes dentro e fora do IFCE" foi o tema do encontro e também da primeira mesa de debates.
 
Enedina Soares é presidenta da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce). Militante de grande reconhecimento pela luta em defesa dos trabalhadores, é autora de diversos artigos publicados na imprensa destacando a necessidade de respeito aos direitos trabalhistas e de melhorias nas condições de trabalho dos servidores e das servidoras públicas, nos municípios cearenses. Enedina é servidora da Educação, nos municípios de Caucaia e Fortaleza.
 
Lola Aronovich é uma das mais destacadas debatedoras sobre feminismo, no Brasil. Professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC e, na definição de um "troll", "ingrata com o patriarcado". É autora do blog "Escreva Lola, Escreva", sobre feminismo, cinema, literatura, política, mídia, entre outros temas, bem como do canal no Youtube "Fala Lola Fala".
 
Zuleide Queiroz é graduada em Pedagogia, mestre e doutora em Educação pela UFC, pós-doutora pela UFRN. É professora da Universidade Regional do Cariri (URCA), da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte (FMJ) e da Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN). É pesquisadora nas áreas de Educação, com ênfase em História da Educação, Política Educacional e Formação de Professores; Saúde e Violência; Feminino e Violência; Infância - adolescência e Violência. Atua em ações de Extensão nas áreas de Educação e Saúde; Educação e movimentos sociais.
 
O objetivo do evento é destacar as muitas lutas e debater e encaminhar ações referentes à condição de vida das mulheres na atual conjuntura política e social do País, com foco nas especificidades manifestadas por servidoras, trabalhadoras terceirizadas e estudantes que vivenciam o cotidiano do Instituto Federal no Ceará.
 
A programação teve às 16h de sexta, com o coquetel e a abertura da exposição “Trabalhadoras que fazem o IFCE”, às 17h, e a mesa “Vivas, livres e resistentes, dentro e fora do IFCE”, atividade aberta ao público em geral. As moradoras e os moradores de Maracanaú foram convidados a participar desse momento marcante para a luta das mulheres dentro e fora do Instituto.
 
 
Confira as falas da primeira mesa de debate:
 
Artemis Martins, integrante da Diretoria Colegiada do SINDSIFCE:
 
 
"Nosso Sindicato tem pouco mais de 30 anos e pela primeira vez nós realizamos um evento como esse, um Encontro de Mulheres", destacou Artemis Martins, integrante da Diretoria do SINDSIFCE, na abertura do I Encontro de Mulheres promovido pelo Sindicato, nesta noite de sexta-feira, 13/3, no Campus Maracanaú do IFCE. O evento tem continuidade neste sábado.
 
"É emblemático que estejamos reunidas na semana em que se completam dois anos do assassinato de Marielle Franco, um crime que continua sem resposta", ressaltou. "Mulher negra, favelada, trabalhadora, democraticamente eleita. Uma mulher que carregava em seu corpo a marca do que é a vida da maioria das mulheres brasileiras".
 
Fechando a mesa de debates que contou com Zuleide Queiroz, Enedina Soares e Lola Aronovich, Artemis ressaltou, sobre o tema do evento, "Vivas, Livres e Resistentes, Dentro e Fora do IFCE": "É uma utopia, mas não como idealismo, algo perdido, um nome bonito. A gente tá falando de utopia como negação dessa condição que nós estamos vivendo, deste lugar, deste mundo que a gente tá vivendo. Estamos aqui dizendo que queremos ser livres, vivas, que somos resistentes, que queremos construir uma outra sociedade".
 
 
 
 
Zuleide Queiroz:
Zuleide Queiroz, professora da URCA, da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte (FMJ) e da Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN), também participou da mesa de abertura do I Encontro de Mulheres do SINDSIFCE, nesta noite de sexta, 13/3, no Campus Maracanaú, do IFCE.
 
Ressaltou a alegria de estar em uma mesa com Enedina Soares, Lola Aronovich, Artemis Martins. "Mulheres que sempre encontro nas lutas, mas que nunca tive a oportunidade de estar na mesma mesa com elas", destacou, ressaltando as dificuldades de as mulheres negras conseguirem se reunir depois do assassinato de Marielle Franco.
 
"Muitas pessoas devem estar assustadas, pensando o quanto é perigoso estar na luta das mulheres. Mas mais perigoso ainda, para as mulheres, é estar em casa. 85% dos casos de violência contra a mulher acontecem dentro de casa. Então, o lugar para nós estarmos é na luta", disse, sob muitos aplausos.
 
"É uma fala carregada de emoção. Quando vi o tema, fiquei emocionada. Sou uma mulher que estou viva; que sou livre, não aceito mais nenhuma amarra; e resistente", acrescentou, antes de exibir matéria de telejornal do Cariri, sobre o assassinato de mulheres na região e as ações para incluir nas aulas das escolas conteúdos como a Lei MAria da Penha e a defesa da vida e do respeito às mulheres.
 
"Nós perdemos muitas coisas nos últimos anos: a possibilidade de ter um presidente democrático, os nossos direitos... O povo negro tem que lembrar sempre da história de sua travessia. A partir dessa compreensão, desse significado, que a gente quer se manter viva, livre e resistente".
 
Enedina Soares: 
 
"Sou professora e diretora do Sindicato. Nunca fui base do Sindicato. Vamos fazendo as lutas, sem nos dar conta. Houve um momento, em 2009, em que percebi que minha vida estava em risco. Uma noite, uma moto passou diversas vezes em frente de casa e buzinava. Passou a noite inteira fazendo isso", relatou, citando também o episódio de 2018 em Icó, quando as professoras e os professores do Município foram recebidos a bala na Câmara Municipal. "Enfrentamos o homem que atirou contra os professores sem saber quem era ele".
 
Enedina ressaltou a importância das políticas públicas, citando a experiência do Crato. "Especialmente em tempos em que se diz que machismo, racismo, homofobia não devem ser debatidos dentro da escola, porque seriam considerados ideologia de gênero", frisou.
 
Também abordou o lugar da mulher que sai do espaço de casa e vai para o mercado de trabalho. "Muitas mulheres ressaltam que são mulheres, mas não são feministas. Que acreditam que ser feminista é o contrário de ser machista. A mulher passa a ser feminista a partir do momento em que ela passa a lutar por seus direitos", delimitou, citando ainda pesquisa sobre salários. "Mesmo tendo as mulheres a maior escolaridade, ainda recebem os menores salários".
 
Enedina ressaltou que Bolsonaro, ao dizer que sua filha foi fruto de uma "fraquejada" e que não estupraria Maria do Rosário porque ela "não seria merecedora", legitima essas práticas. Deslegitima as políticas de proteção às mulheres.
 
Nos serviços públicos, as mulheres são minoria nos cargos de chefia, apontou. "A gente pensa que no movimento sindical também é diferente, mas ele é também reflexo da sociedade, logo, também é espaço de machismo", destacou.
 
"A CUT fez uma pesquisa que identifica que a imagem de um sindicalista é de um homem, barbudo, barrigudo, com cerca de 40 anos. Uma espécie de Lula mais jovem. O imaginário sobre o sindicalista não é de uma mulher. Suceder diretores, homens, não é uma tarefa fácil".
 
"Houve um período em que o Sindicato sofreu ataques porque a diretoria era composta por mulheres. Seria o SindBarbie. Isso em uma categoria que tem maioria de mulheres. O homem era minoria nesse contexto, mas se sentia à vontade para publicizar uma opinião como essa", relatou, defendendo a construção de paridade nas diretorias sindicais e a organização de mais espaços como o Encontro de Mulheres.
 
"Uma reunião que termina 23h inviabiliza a participação das mulheres. Um congresso de três dias dificulta a participação de uma mulher que é mãe. Então precisamos mais que um olhar, mas uma política sindical que viabilize a participação das mulheres na vida política".
 
 
Lola Aronovich:
 
“O machismo é o medo que os homens têm das mulheres sem medo”. Citando Eduardo Galeano, a professora da UFC, blogueira e escritora Lola Aronovich encerrou sua fala na mesa de abertura do I Encontro de Mulheres do SINDSIFCE, no Campus Maracanaú, do IFCE, nesta noite de sexta-feira, 13/3.
 
Lola ressaltou a marca de um ano do massacre desde o massacre de Suzano, planejado em um fórum anônimo na "deep web". Destacou que também foi ameaçada, por diversas vezes, inclusive pelo mesmo grupo. Na época, os mais atacados eram ela e o deputado Jean Willys.
 
Sobre o assassinato de Marielle Franco, enfatizou que os autores do crime não imaginavam que haveria uma repercussão tão grande.
 
"A gente segue lutando. E não podemos nos dar o luxo de ter medo. A resistência é feminina. A maior resistência desse País é de mulheres. Vimos o 'Ele Não', movimento importantíssimo que ainda dá frutos", afirmou, citando como outro grande exemplo, depois do golpe de 2016, as ocupações nas escolas, com muitas lideranças femininas.
 
"Os homens também estão em luta. Chamamos eles para virem em luta conosco. Mas nós somos as principais vítimas, os principais alvos dos grupos misóginos e neofascistas que existem no País", ressaltou.
 
"Não é possível que, com todos os direitos que têm sido retirados da gente, as pessoas não sintam na pele. Eu acho que as pessoas vão lutar. A gente tem que ir realmente pras ruas, pedir impeachment. Agora não é o dia de ir pra rua também por conta do corona vírus. Pensar sobre se vamos às ruas amanhã, dia 14, e no dia 18 também. Se não seria o caso de fazer paralisação e fazemos mobilização pela internet".
 
 
Última atualização: 14/03/2020 às 15:39:27
 
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