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  14/03/2020 

"Feminismos, relações de trabalho e o nosso lugar no IFCE". Confira as falas da segunda mesa de debates do Encontro de Mulheres do SINDSIFCE, sábado, 14/3

"Feminismos, relações de trabalho e o nosso lugar no IFCE". Esse foi o tema da segunda mesa de debates do Encontro de Mulheres do SINDSIFCE, na manhã de sábado, 14/3, no Campus Maracanaú do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.

A mesa contou com Karla Raphaela, Luana Angelo, Rafaela Florêncio. Além de Ozirene Maia, integrante da Diretoria Colegiada do SINDSIFCE. 

Confira os principais destaques das falas das debatedoras:

 

Karla Raphaela, doutora em Educação, militante da Resistência Feminista e líder do Grupo de Pesquisa Ontologia do Ser Social, também participa do I Encontro de Mulheres do SINDSIFCE, evento que tem encerramento neste sábado, 14/3, no IFCE Maracanaú.
 
"O feminismo é um movimento político, que parte do século XVIII, e tem como objetivo a transformação da sociedade para que suas condições sejam igualitárias para todos os indivíduos em que nele atuam. Nasce quando um sistema feudal está caindo e uma nova sociedade vai surgir, com o avanço de uma nova classe social, que é a burguesia", contextualizou Karla.
 
"Alexandre Dummar Filho usa o termo 'feminismo' no sentido pejorativo. Seriam irracionais, não desenvolveram o órgão genital, têm característica da pele mais delicada. Quando as sufragistas começam a luta, o conceito é ressignificado para uma ideia de lutas por direitos", destacou.
 
"Na década de 1970, os movimentos feministas que defendiam essa igualdade começam a demarcar que não querem igualdade, porque não são iguais aos homens. Querem igualdade de direitos e de oportunidades. Dentro dessa ideia de diferença, vários movimentos vão surgir: movimento feminista lésbico, movimento feminista negro, entre outros", explicou Raphaela, citando ainda feminismo radical, feminismo liberal e feminismo marxista.
 
"Cada uma de nós vive essa opressão de formas diferentes. A opressão sofrida por uma mulher branca, burguesa, é diferente daquela sofrida por uma mulher negra, da classe trabalhadora. Há pautas que não são compreendidas, ou não aceitas, pelas mulheres que não são da classe trabalhadora. Um exemplo são as creches públicas. O SUS é outra pauta fundamental para as mulheres da classe trabalhadora", exemplificou.
 
"Existe um feminismo que está muito mais pautado nas demandas das mulheres da classe média e das mulheres burguesa. É uma parcela minoritária das mulheres", enfatizou. "Não concordo com um feminismo que diz que eu preciso ser presidente de uma grande empresa. Porque pra ser presidente de uma grande empresa, eu preciso explorar outras pessoas. O nosso feminismo precisa ser antirracista; antiLGBTfóbico; ecossocialista"
 
"Não estou querendo dizer que as pautas das mulheres da classe média e da burguesia não são importantes. Elas também sofrem opressões. Mas na hora em que a gente faz greve por pauta econômica, ou faz uma revolução, essas mulheres não estarão ao nosso lado".
 
 
Luana Angelo, mulher trans, presidenta do Diretório Central de Estudantes – DCE, do IFCE, também participa do I Encontro de Mulheres do SINDSIFCE, que tem encerramento neste sábado, 14/3, no Campus Maracanaú.
 
Luana avaliou como desafiador para o Sindicato ter organizado o evento logo depois de o IFCE ter cancelado a Semana de Direitos Humanos, em caso que ganhou repercussão nacional, contra a atitude da Reitoria e do Governo Federal.
 
Sendo travesti, Luana destacou a importância da representatividade. Falou sobre os eventos estudantis organizados, das passagens em turmas, do trabalho nos campi do interior. Também da importância dos encontros de mulheres, espaços que costumam ser mais acolhedores e menos LGBTfóbicos.
Assédio no IFCE
 
Luana falou sobre casos de assédio dentro do IFCE e sobre os acompanhamentos dos casos pela Instituição. Alguns levaram à exoneração de servidores.
 
Também falou do espanto sobre estudantes homens que assediam servidoras. E teve conhecimento disso por meio de estudantes, mulheres, que denunciaram seus colegas.
 
“Precisamos fazer essas denúncias e nos apoiarmos umas nas outras. Quando uma se encoraja, várias outras se encorajam”.
 
Citou o caso de uma denúncia de assédio institucional que encorajou a manifestação de outras 12 denúncias, contra um professor, que está afastado e que vai responder. As apurações serão feitas.
“Espero que o Sindicato e o DCE, juntos, possamos realizar mais atividades nesse sentido de combate ao assédio e ao machismo dentro da Instituição. Temos uma atuação forte no Interior e estamos à disposição.”

 

 
Rafaela Florêncio, professora no IFCE, doutora em Educação, membro do Núcleo de Estudos Afro Brasileiros e Indígenas (NEABI) e ativista do movimento negro no Ceará, é uma das participantes do I Encontro de Mulheres do SINDSIFCE, que acontece neste sábado, 14/3, no IFCE Maracanaú.
 
“O assédio é um grande engodo que a gente precisa encarar de frente. Dentro das organizações partidárias, dentro das organizações sociais, esse tema foi sendo colocado pra debaixo do tapete”, afirmou Rafaela.
 
“O feminismo é um cavalo sem cabeça. Ninguém sabe pra que lado ele caminha. O feminismo é espaço de disputa”, destacou, apontando riscos da fragmentação dentro do movimento feminista.
 
"A opressão dos homens sobre as mulheres é anterior ao capitalismo. Mas é no marco do capitalismo que a opressão é utilizada como elemento de exploração. Quantos pobres são precisos para se fazer um rico? Temos tanta dificuldade de transformar pedra em espelho porque essas questões passam por um processo de naturalização", disse, citando poema de Mauro Iasi: "Vamos mudar o mundo, transformá-lo de pedra em espelho, para que cada um, enfim, se reconheça".
 
O racismo foi outro ponto importante na fala de Rafaela: "Enquanto os alunos de escola pública aprovados em Medicina forem matéria de jornal, nós estaremos muito longe do tipo de educação que nós queremos", ressaltou.
 
"É tão bem consolidado para fora dentro e para fora que o Brasil não tem racismo, que existem vários registros de militantes negros que pedem para vir para cá", frisou, citando também paradoxos da realidade brasileira, mesmo de setores considerados progressistas: "Enquanto as mulheres brancas e de classe média vão as ruas para reivindicar seus direitos, as mulheres negras estão na casa delas (das brancas), garantindo que elas (as brancas) possam estar lá (nas ruas)".
 
Rafaela também abordou a "rivalidade" alimentada no IFCE, de técnicos contra professores, "uma rivalidade que tende a nos enfraquecer". "A gente precisa identificar quem são os nossos reais inimigos".

 

Última atualização: 14/03/2020 às 15:38:48
 
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