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Notícias

  23/03/2021 

Em assembleia do SINDSIFCE, infectologista alertou: antes de vacinação ampla, não há segurança para retorno a trabalho híbrido ou presencial

 
Em Assembleia Geral com grande participação realizada na última quinta-feira, 18/3, servidores e servidoras do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), do Colégio Militar de Fortaleza (CMF) e da Escola de Aprendizes Marinheiros do Ceará (EAMCE) manifestaram solidariedade às comunidades acadêmicas e a todas as famílias que perderam entes queridos para a Covid-19 e sofrem com as graves consequências da pandemia. Os servidores debateram os riscos e as pressões para retorno ao trabalho presencial. 
 
O médico infectologista Roberto da Justa, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), integrante do Conselho Regional de Medicina (Cremec) e do Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS, grupo que desde o começo da pandemia vem se manifestando pela informação correta à população e denunciando o negacionismo e as escolhas erradas feitas pelo Governo Federal, participou da assembleia como um dos convidados pelo SINDSIFCE.
 
O especialista alertou para os enormes riscos que viriam de um retorno a trabalho presencial antes de haver vacinação ampla para a população. "Parabenizo a entidade sindical, que debate e luta para impedir o retorno presencial, sem que antes toda a comunidade esteja vacinada. E por condições pra exercermos nosso trabalho com dignidade, consciência", ressaltou. 
 
"A pandemia se reflete dentro das universidades e no ensino em geral de forma muito impactante. Entre milhões de infectados e milhares de mortos estão servidores das nossas universidades, professores e técnicos. E nossos alunos. E isso tem sido pouco contado. Não só as vítimas diretas, mas todo um aspecto psicológico, emocional, sobre todos nós, que não pode ser menosprezado", aponta.
 
"Temos um conjunto da sociedade fragilizado, com medo, com seus familiares sendo afetados e ainda recebendo pressão pra que transforme seu domicílio em sala de aula. Isso nos atinge diretamente", enfatizou, após analisar os acontecimentos do primeiro ano de enfrentamento à pandemia e destacar características das novas variantes do coronavírus, que provavelmente levarão à necessidade de vacinação anual, como já acontece com a vacina contra gripe/influenza. 
 
"Tivemos uma primeira onda no primeiro semestre. Estamos vivendo uma segunda onda. E claramente temos possibilidade de uma terceira ou até mais ondas pandêmicas se não conseguirmos avançar com a vacinação", afirma, frisando que a pandemia se torna mais grave com as enormes desigualdades sociais no Brasil e no mundo e que os números de mais de 11 milhões de brasileiros infectados e mais de 290 mil mortos certamente estão abaixo da realidade, com dificuldade de notificação. 
 
Retorno ao trabalho presencial? Só com vacinação ampla
 
O dr. Roberto da Justa destaca a necessidade da vacinação ampla, antes de se começar a pensar em retorno a trabalho presencial nas instituições de educação. "O único cenário que devemos buscar é que só retornemos às atividades presenciais quando todos estiverem vacinados: nós, servidores, alunos, familiares... Alguém pode até dizer: 'Ah, mas uma atividade híbrida, em sala aberta, com distanciamento, garante uma atividade segura'. Não garante! Você vai se expor. Poderá se infectar e, se for assintomático, levará para a sua família", assevera.
 
"O que nós precisamos de forma contundente é cobrar o nosso direito de ser vacinado e protegido contra esse vírus. A gente precisa focar nessa luta, pra que a gente não sofra as consequências, que são perdas de vidas. E toda vida importa. Claro que surgem propostas, como ensino híbrido. Isso já vem sendo feito em alguns municípios, principalmente no setor privado, e o que temos visto na prática é a ocorrência de casos, muitas vezes letais. Precisamos resistir a isso. A pressão vai ser muito grande pra que as aulas presenciais voltem", acrescenta. 
 
"Claro que precisamos também pensar no impacto para os nossos jovens. Mas neste momento, antes de vacinação ampla, o principal é a defesa da vida".
 
Brasil sem vacina
 
O infectologista Roberto da Justa ressalta que o Brasil tem experiência e estrutura para vacinar até 5 milhões de pessoas por dia. Mas cadê a vacina? 
 
"Só há duas maneiras de sair do estágio atual de pandemia para o de uma endemia. Uma é avançar na vacinação em massa. Isso se alcançou com vários outros vírus, como o sarampo, hoje endêmico, pela alta cobertura vacinal. A outra forma é a mais cruel de todas, que é a alternativa escolhida pelo governo Bolsonaro, de não disponibilizar vacina e de deixar que os vírus infectem todos, até que se esgotem os suscetíveis. Ao custo de inúmeras mortes e de pessoas que sobrevivem, mas com sequelas", denuncia.
 
"Esse cenário poderia ter sido diferente? Claro que poderia, se houvesse minimamente harmonia de ações, ação coordenada do governo federal. São claras as evidências em favor do isolamento social, do uso de máscaras, e infelizmente o Governo Federal dá o exemplo contrário: dificuldade com o auxílio emergencial para os trabalhadores que mais precisam e incompetência de garantir o direito à vacinação", registra, apontando que somos um dos países com menor percentual de população vacinada: menos de 3% recebeu as duas doses. "Isso faz com que todo esse esforço de isolamento social fique comprometido e tenha que se prolongar. 
Última atualização: 23/03/2021 às 10:10:32
 
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